IPv4 e IPv6: qual a diferença e como saber se você tem
Publicado em 3 de setembro de 2026.
Você já deve ter visto os dois nomes no painel do roteador ou em alguma configuração de rede. A diferença entre eles é mais simples do que parece, e saber qual você tem explica algumas coisas — inclusive por que não dá para abrir portas na sua conexão.
A diferença em uma frase
IPv4 e IPv6 são dois formatos de endereço. O IPv4 é o antigo e acabou: são cerca de 4,3 bilhões de combinações, e o mundo já pediu mais que isso. O IPv6 é o formato novo, com uma quantidade de endereços tão grande que não faz sentido tentar imaginar.
| IPv4 | IPv6 | |
|---|---|---|
| Aparência | 203.0.113.10 | 2001:db8:85a3::8a2e:370:7334 |
| Escrito com | números e pontos | hexadecimal e dois-pontos |
| Tamanho | 32 bits | 128 bits |
| Quantidade | ~4,3 bilhões | 340 undecilhões |
Por que o IPv6 precisou existir
Quando o IPv4 foi criado, 4,3 bilhões de endereços pareciam infinitos — a internet era um punhado de universidades. Hoje cada casa tem dezenas de aparelhos conectados, e os endereços acabaram de verdade: na América Latina, o estoque para novos provedores se esgotou anos atrás.
A solução provisória foi compartilhar: vários clientes atrás de um mesmo endereço público, o que se chama CGNAT. Funciona para navegar, mas quebra tudo que exige receber conexões de fora. O IPv6 é a solução definitiva — com endereços de sobra, ninguém precisa dividir.
Como saber se você já tem IPv6
A página inicial mostra os dois endereços lado a lado. Se o campo IPv6 trouxer um número com dois-pontos, a sua conexão já tem suporte ativo. Se aparecer "não disponível", significa que o seu provedor ainda não entrega IPv6 para você — ou que ele está desativado no roteador.
No Brasil a adoção é razoavelmente boa e varia bastante de provedor para provedor. Redes móveis costumam estar à frente das conexões fixas nesse ponto.
Como se lê um endereço IPv6
À primeira vista parece complicado, mas segue duas regras simples de abreviação. O endereço completo tem oito grupos de quatro dígitos:
2001:0db8:85a3:0000:0000:8a2e:0370:7334
Regra 1: zeros à esquerda de cada grupo podem sumir —
0db8 vira db8.
Regra 2: uma sequência de grupos zerados vira ::, e isso só
pode ser feito uma vez por endereço.
Resultado: 2001:db8:85a3::8a2e:370:7334
É por isso que alguns endereços parecem curtíssimos, como o ::1, que é o
equivalente ao 127.0.0.1 do IPv4 — o endereço que aponta para a própria máquina.
O que muda na prática para você
Para navegar, assistir vídeo e usar aplicativos, absolutamente nada: seu aparelho escolhe sozinho qual protocolo usar e você nem percebe. A diferença aparece em dois pontos.
Não existe CGNAT em IPv6. Cada aparelho recebe um endereço próprio e alcançável da internet. Quem precisa acessar uma câmera ou um servidor de casa pode fazer isso pelo IPv6, liberando o acesso no firewall do roteador — sem redirecionamento de portas, porque não há tradução nenhuma para configurar. A limitação é que quem vai acessar também precisa estar em IPv6.
O endereço também pode mudar. O provedor delega um bloco ao seu roteador, e esse bloco passa por renovação. Costuma ser mais estável que o IPv4 dinâmico, mas não é garantia de permanência.
IPv6 deixa a internet mais rápida?
Não de forma perceptível, e quem promete isso está exagerando. Velocidade depende do seu plano e da rota até o destino, não do formato do endereço.
Existe um ganho pequeno e indireto: sem CGNAT, o tráfego deixa de passar por uma camada extra de tradução no provedor, o que pode reduzir um pouco a latência e evitar problemas em conexões simultâneas. Mas é diferença de milissegundos, não algo que você vai sentir assistindo vídeo.
Preciso configurar alguma coisa?
Normalmente não. Se o provedor entrega IPv6 e o roteador tem a opção ligada, tudo acontece sozinho. Vale conferir no painel do roteador se existe uma opção de IPv6 desativada — em alguns modelos ela vem desligada de fábrica, e é aí que a conexão tem suporte mas o site mostra "não disponível". Para chegar nessa tela, veja como entrar no painel do roteador.
IPv6 expõe meus aparelhos?
Essa é a dúvida mais legítima do assunto, e merece resposta honesta. No IPv4 doméstico, a tradução de endereços bloqueia conexões de entrada como efeito colateral: ninguém alcança o seu computador porque ele nem tem endereço próprio na internet. No IPv6 cada aparelho tem endereço alcançável, e essa proteção acidental deixa de existir.
O que protege passa a ser o firewall do roteador — e a boa notícia é que praticamente todos vêm configurados para bloquear conexões de entrada por padrão. Ou seja, na prática você continua protegido, só que por uma regra explícita em vez de por acaso. O cuidado é não sair liberando acesso sem entender o que está abrindo.
Vale saber também que sistemas modernos usam endereços temporários que mudam de tempos em tempos para as conexões de saída, justamente para dificultar o rastreamento de um aparelho específico ao longo do tempo.
O IPv4 vai acabar?
Não tão cedo. Os dois convivem há anos e vão continuar convivendo por muito tempo — é o que se chama de pilha dupla, com o aparelho falando os dois idiomas e escolhendo o melhor caminho a cada conexão. Não existe data para desligar o IPv4, e você não precisa fazer nada a respeito.
Resumindo
IPv6 é o formato que resolve a escassez de endereços — e, de quebra, elimina o CGNAT e a dificuldade de receber conexões. Para o uso comum não muda nada perceptível; para quem quer acessar algo de casa, pode ser o caminho mais simples.
Para ver se você tem, é só abrir a consulta de IP: os dois endereços aparecem juntos, e o campo IPv6 responde a pergunta na hora.